O Gradiente Model 166 Super A é um dos amplificadores integrados mais marcantes da fase clássica da Gradiente. Ele representa a passagem da linha Compo para um patamar mais sofisticado, combinando visual elegante, indicadores eletrônicos de potência por LEDs, boa reserva de potência e o circuito Super-A non-switching, uma das soluções técnicas mais destacadas da marca naquele período.
Com 42W RMS por canal em 8Ω e 60W RMS por canal em 4Ω, o Model 166 já se posicionava acima dos modelos mais compactos da linha, como o Model 76, Model 86 e Model 126. Era um amplificador para quem queria manter o formato elegante da família Compo, mas com mais força, mais recursos e uma proposta sonora mais refinada.
Hoje, o Model 166 é lembrado como um dos integrados nacionais mais desejados da Gradiente, tanto pelo desempenho quanto pelo visual característico dos anos 1980.
História do Gradiente Model 166 Super A
Durante o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, a Gradiente consolidou sua imagem como uma das principais fabricantes brasileiras de equipamentos de áudio. A linha Compo foi parte importante dessa trajetória, oferecendo ao consumidor a possibilidade de montar um sistema modular, com amplificador, tuner, tape deck e toca-discos combinando visualmente entre si.
O Model 166 surgiu como uma evolução natural dessa linha. Ele preservava o gabinete baixo, a frente em alumínio escovado e a organização visual dos modelos anteriores, mas acrescentava uma eletrônica mais sofisticada, maior potência e um painel frontal mais tecnológico.
A inscrição Super A Stereo Amplifier no painel não era apenas um detalhe estético. Ela indicava o uso do circuito de amplificação Super-A, também chamado de non-switching, pensado para reduzir as distorções de comutação típicas de amplificadores classe AB convencionais.
Essa proposta colocava o Model 166 em uma posição especial dentro da família Gradiente: ele era o primeiro grande passo rumo aos modelos Super A mais potentes, como o Model 246 e o Model 366.
Especificações Técnicas do Gradiente Model 166
- Tipo: Amplificador integrado estéreo
- Circuito de amplificação: Super-A non-switching
- Potência por canal em 8Ω: 42W RMS, com 0,05% THD
- Potência por canal em 4Ω: 60W RMS, com 0,2% THD
- Potência IHF: 80W em 4Ω
- Impedância de saída: 4Ω a 16Ω
- Distorção Harmônica Total: 0,05% em potência máxima, 8Ω
- Distorção por Intermodulação: 0,05%
- Fator de amortecimento: 50 em 1kHz, 8Ω
- Relação sinal/ruído: 74dB em Phono / 90dB em Line
- Sensibilidade e impedância Phono: 2,5mV / 47kΩ
- Sensibilidade e impedância Line: 200mV / 50kΩ
- Overload Phono: 120mV
- Controles de tonalidade: Graves ±10dB a 100Hz / Agudos ±10dB a 10kHz
- Loudness: +8dB a 100Hz e +4dB a 10kHz em -30dB
- Hi-Cut: -6dB a 10kHz, 12dB por oitava
- Lo-Cut: -6dB a 60Hz, 12dB por oitava
- Mute: -20dB
- Entradas de áudio: 1 Phono, 1 Auxiliar, 2 Tape e 1 Tuner
- Alimentação: 120/220V, 50/60Hz
- Consumo: 25W sem sinal / 280W em máximo sinal
- Dimensões: 420 x 94 x 300 mm
- Peso: 6,5 kg
Construção e Design
O visual do Gradiente Model 166 é um dos seus grandes atrativos. A frente em alumínio escovado, os botões quadrados, os knobs metálicos e o grande controle de volume criam uma aparência sofisticada, limpa e muito característica da fase mais moderna da linha Compo.
O aparelho mantém a largura padrão de 420 mm, mas tem altura ligeiramente maior que os modelos menores, chegando a 94 mm. Essa diferença ajuda a transmitir uma sensação de equipamento mais robusto, sem abandonar o perfil baixo e elegante da série.
Um dos elementos mais marcantes do painel frontal é o conjunto de indicadores eletrônicos de potência por LEDs. Diferente dos tradicionais VUs analógicos de ponteiro, o Model 166 utiliza um display retangular escuro com indicação de potência para os canais esquerdo e direito. Esse recurso dava ao aparelho um aspecto moderno e tecnológico para sua época.
Outro destaque é a quantidade de comandos disponíveis. O Model 166 oferece seleção de caixas A/B, filtros Hi-Cut e Lo-Cut, função Mute, Loudness, modo Mono, Tape Monitor, controle de balanço e seletor de fontes. É um amplificador bastante completo para uso doméstico, especialmente em sistemas com toca-discos, tuner e tape deck.
O circuito Super-A
O termo Super-A foi usado pela Gradiente para identificar uma topologia de amplificação do tipo non-switching. A proposta era reduzir a distorção de crossover, comum em amplificadores classe AB tradicionais, sem transformar o aparelho em um classe A puro, que exigiria muito mais dissipação térmica e consumo de energia.
Na prática, isso ajudava o Model 166 a entregar uma sonoridade mais limpa e suave, especialmente em volumes moderados, mantendo boa eficiência para uso doméstico.
Esse detalhe técnico é importante porque diferencia o Model 166 dos modelos menores da linha Compo. Ele não era apenas uma versão mais potente do Model 126, mas uma nova etapa dentro da evolução dos integrados Gradiente.
Como soa o Gradiente Model 166?
O Model 166 tem uma sonoridade encorpada, equilibrada e muito agradável. Com 42W RMS por canal em 8Ω, ele já oferece potência suficiente para a maioria dos ambientes domésticos e trabalha bem com caixas de sensibilidade média ou alta.
Os graves são firmes e têm boa presença, especialmente quando o aparelho está associado a caixas compatíveis. Não é um amplificador exagerado ou artificialmente pesado, mas consegue entregar corpo e controle melhores que os modelos menores da linha.
Os médios são naturais e musicais, favorecendo vozes, guitarras, pianos, metais e gravações acústicas. Esse é um ponto forte em muitos equipamentos Gradiente da época: a capacidade de soar agradável por longos períodos, sem cansar o ouvinte.
Os agudos tendem a ser suaves e bem comportados. O filtro Hi-Cut pode ser útil em gravações mais ásperas, fitas antigas ou fontes com ruído excessivo. Já o Lo-Cut ajuda a reduzir frequências muito baixas, podendo ser interessante em discos de vinil com ondulações, ruído mecânico ou excesso de energia subgrave.
A entrada Phono também é parte importante da experiência. Com sensibilidade de 2,5mV e impedância de 47kΩ, ela foi pensada para cápsulas MM comuns, permitindo montar um sistema analógico completo sem necessidade de pré de phono externo.
Opiniões de usuários e colecionadores
Entre colecionadores de áudio vintage brasileiro, o Model 166 costuma ser visto como um dos integrados mais equilibrados da Gradiente. Ele não tem o porte dos modelos maiores, como o 246 e o 366, mas já entrega a identidade visual e técnica da fase Super A.
“O Model 166 é um dos Gradiente mais bonitos da linha Compo, principalmente pelo painel com LEDs de potência.”
“Tem potência suficiente para uma sala doméstica e mantém uma sonoridade suave, típica dos bons integrados nacionais da época.”
“É uma ótima porta de entrada para quem quer um Gradiente Super A sem partir direto para os modelos maiores.”
Como todo equipamento vintage, seu desempenho depende muito do estado de conservação. Exemplares sem revisão podem apresentar ruídos em chaves e potenciômetros, capacitores cansados, lâmpadas ou LEDs com falhas, soldas antigas e conectores oxidados.
Prós e Contras
Prós
- Visual clássico e muito elegante
- Circuito Super-A non-switching
- Boa potência: 42W RMS em 8Ω e 60W RMS em 4Ω
- Indicadores eletrônicos de potência por LEDs
- Entrada Phono MM
- Filtros Hi-Cut e Lo-Cut
- Função Mute de -20dB
- Seleção para dois pares de caixas
- Boa relação entre tamanho, recursos e desempenho
- Importância histórica dentro da linha Gradiente
Contras
- Exemplares em bom estado estão cada vez mais difíceis de encontrar
- Normalmente exige revisão elétrica completa
- O display de LEDs pode apresentar falhas com o tempo
- Peças estéticas originais podem ser difíceis de repor
- Não tem a potência dos modelos maiores da linha Super A
- Caixas muito difíceis podem exigir amplificadores mais robustos
Por que o Gradiente Model 166 ainda é interessante?
O Model 166 continua interessante porque reúne três qualidades importantes: beleza, história e desempenho. Ele tem o visual refinado da linha Compo, a evolução técnica do circuito Super-A e potência suficiente para sistemas domésticos bem montados.
Para quem gosta de áudio vintage nacional, ele representa uma fase em que a Gradiente buscava competir em sofisticação, acabamento e tecnologia. Não era apenas um aparelho popular: era um integrado pensado para consumidores que queriam um sistema de alta fidelidade mais completo.
Além disso, o Model 166 se encaixa muito bem em sistemas com toca-discos, caixas vintage de boa sensibilidade e fontes analógicas. É um amplificador que combina estética, funcionalidade e musicalidade.
Conclusão: o Gradiente Model 166 Super A vale a pena?
Sim. O Gradiente Model 166 Super A vale muito a pena para quem procura um amplificador integrado vintage nacional com boa potência, visual marcante e relevância histórica.
Ele não é tão simples quanto os primeiros modelos da linha Compo, nem tão poderoso quanto os Model 246 e 366, mas talvez justamente por isso ocupe uma posição tão interessante: é equilibrado, elegante, completo e musical.
Quando revisado e bem combinado com caixas adequadas, o Model 166 pode entregar uma experiência sonora muito prazerosa, especialmente com vinil, rádio e fontes analógicas. É um dos aparelhos que melhor representam a fase madura da Gradiente e continua sendo uma peça desejada por colecionadores e amantes do Hi-Fi brasileiro.